O MELHOR CONSELHO PARA ESCRITORES QUE JÁ OUVI

              A internet está repleta de conselhos para escritores. Há dicas de todos os tipos, para todos os gostos, um oceano de informações bem-intencionadas para fazer você escrever melhor.
               Eu, de minha parte, já consumi diversos livros sobre as técnicas do escritor, e já me meti em site após site buscando algum pedaço de sabedoria que me ajudaria a incrementar minha literatura.
           Posso dizer, sem sombra de dúvida, que um conselho em especial fez uma diferença significativa para mim. E é algo que tem muito valor para mim porque veio da boca de um escritor que admiro bastante.
              O ano era 2016 e eu me sentia um pouco esgotado com relação à minha escrita. Era como se eu simplesmente não conseguisse dar a forma que eu queria aos meus pensamentos, e o que eu escrevia nem sempre me satisfazia.
              Foi quando eu encontrei um vídeo de Ray Bradbury, falando sobre a vida de escritor. Bradbury é o autor de “Fahrenheit 451” e “As Crônicas Marcianas”, e era, basicamente, um herói das minhas leituras juvenis. Ele dava uma dica muito simples e que basicamente mudou a maneira como eu escrevo.
              Em poucas palavras, ele começava por falar de sua desconfiança com relação a escrever romances logo de cara. Nas palavras dele, você pode passar um ano inteiro escrevendo um romance e ele não fica muito bom. Mas – e aí vem a dica valiosa – você pode escrever no mesmo tempo uma grande quantidade de contos. Diz Bradbury:
             “Escreva um conto por semana durante um ano. É impossível escrever 52 contos ruins um atrás do outro.”
           Esse insight é extremamente frutífero. Porque muda o foco do seu processo de escritor. Quando você está tentando escrever um romance, você passa meses e meses sem saber exatamente aonde está indo. Mas quando você escreve um conto por semana, todo fim de semana você tem algo para mostrar para seu círculo de amizades, e você recebe feedback.
              Você se sente bem! Então, em termos psicológicos, você desenvolve uma relação mais positiva com a literatura que você produz. Além disso, note que a frase dele diz que é impossível produzir 52 contos ruins na sequência.
              Porque você vai escrever contos ruins. Principalmente no começo, quando você está pegando o jeito da Forma. Haverá flutuações de qualidade. Mas não faz mal. Porque toda semana você está escrevendo mais um, e lá pela 30ª ou 40ª semana sai um conto que é fenomenal.
              Não é preciso ler Hegel para saber de dialética, e Ray Bradbury entendia do assunto; porque quantidade vira qualidade.                        
              Todos esses contos que você vai escrevendo, eles se acumulam, até que há um salto e finalmente você começa a escrever o que você realmente é.
               Há, em algum momento do processo, um instante de transformação, assim como a água acumula calor e, aos 100°, transforma-se em vapor, muda de natureza.
                Assim foi que, em 2017, eu coloquei uma folha de papel com 52 itens na porta do armário do meu quarto e toda semana eu anotava o título do conto que eu escrevia. Aos poucos o trabalho adquire um ritmo próprio e eu aprendi com minha própria experiência – não existe nenhum outro tipo de aprendizado de verdade na escrita, nem, assim suspeito, em qualquer outra área.
               Estamos em 2019 e mantenho essa disciplina de pelo menos um conto por semana. Pretendo seguir com essa “dieta” pelo menos por vários anos ainda e, periodicamente, estou fazendo descobertas novas.
               Se você se dedica – em qualquer medida que seja – à literatura, por que não considerar esse valioso conselho de Ray Bradbury? Lembre-se que quantidade vira qualidade, e invista na formação de um hábito de escrita.
               (Os 10 melhores contos da minha experiência de 2017 serão transformados no livro “Minha Consciência & outros contos”, a ser lançado pela L-Dopa ainda este ano.)

LANÇAMENTO DA SÉRIE ‘FICÇÃO ESPECULATIVA’

A L-Dopa Publicações está lançando este mês uma nova série de livros, voltada para a ficção especulativa. Para quem não sabe, “ficção especulativa” é o termo anglo-saxão (agora incorporado em nossa língua) que engloba a ficção científica, a fantasia e o horror. São três livros por enquanto: “A Arma & outros contos” de Philip K. Dick (chamado de “Shakespeare da ficção científica”), “Juventude & outros contos” de Isaac Asimov (figurinha incontornável que publicou mais de 500 livros) e “O Apelo de Cthulhu” de H. P. Lovecraft (que todo fã de horror já ouviu falar e agora pode conhecer). São histórias repletas de naves e robôs, monstros e alienígenas, mas que também inspiram o leitor a especular sobre a realidade que nos cerca.

 

Philip K. Dick – “A Arma & outros contos” 

            Philip K. Dick é considerado pelo crítico Frederic Jameson como o “Shakespeare da ficção científica”. Nesta antologia, o autor comparece com 8 contos de sua fase inicial da carreira. O texto que dá título à coletânea, por exemplo, é a história da tripulação de uma nave espacial que precisa descer num planeta destruído por uma guerra atômica; mas um dos canhões permanece funcionando, então como decolar novamente? O primeiro conto da antologia, “A Caveira”, trata da história de um assassino marciano que é enviado de volta no tempo para matar o fundador de uma igreja antes que ele se pronuncie. São histórias repletas de robôs, naves, alienígenas e alta tecnologia, mas o tempo todo Philip K. Dick está se perguntando pela natureza da realidade, sua preocupação maior. O livro acompaha ainda um posfácio com estudo de Nils Skare, tradutor do livro.

P. Lovecraft – “O Apelo de Cthulhu & outros contos”

         P. Lovecraft é sem dúvida um dos maiores nomes da literatura de horror, e conhecido por todos os amantes das histórias que inspiram medo. Seu “O Apelo de Cthulhu” é a história da descoberta de seres pavorososo que habitam nosso planeta desde tempos imemoriais, sendo sua existência comprovada por cultos maléficos ao redor do mundo. Chamamos a atenção nesta coletânea também para “A Cor que Caiu do Espaço”, um dos contos mais inventivos do autor, que fala sobre um bizarro meteorito que cai numa propriedade agrícola e espalha o terror – lentamente – pela região. O estilo de Lovecraft é marcado pelas revelações que se dão aos poucos. O livro acompaha ainda um posfácio com estudo de Nils Skare, tradutor do livro.

Isaac Asimov – “Juventude & outros contos”

            Isaac Asimov é uma das grandes referências da literatura de ficção científica de todos os tempos, tendo escrito em torno de 500 livros. “Juventude” é um conto em que o mestre se exercita na forma curta ao tratar de uma raça alienígena que aguarda a chegada de uma tripulação de outro planeta para criar uma rota de comércio que poderá salvar sua espécie da estagnação. O conto “Piadista”, por exemplo, também incluso na coletânea, fala sobre um supercomputador que é usado para descobrir a origem e a natureza das piadas – o resultado é assombroso. Como sempre em Asimov, os textos primam por uma clareza e transparência de estilo. O livro acompaha ainda um posfácio com estudo de Nils Skare, tradutor do livro.